A crise envolvendo o Banco Master e o Banco de Brasília (BRB) marcou a retomada dos trabalhos legislativos no Senado Federal nesta terça-feira (3) e elevou a pressão política sobre o Governo do Distrito Federal. Durante discurso em plenário, a senadora Leila do Vôlei defendeu o afastamento do governador Ibaneis Rocha enquanto durarem as investigações sobre as operações que envolveram o BRB e o Banco Master. Para a parlamentar, o episódio vai além de um problema financeiro e configura uma crise institucional, com potencial impacto direto sobre o patrimônio público do Distrito Federal e sobre a confiança da população nas instituições que administram recursos públicos.
“Não se trata de prejulgamento nem de perseguição política. O afastamento é uma medida de responsabilidade para garantir investigações independentes, transparentes e livres de qualquer interferência política”, afirmou Leila.

Risco ao patrimônio público e aos serviços essenciais do DF
Segundo a senadora, as informações já divulgadas indicam uma exposição temerária de um banco público a riscos elevados, o que pode comprometer recursos que deveriam estar protegidos para financiar políticas públicas, como saúde, segurança e mobilidade urbana no Distrito Federal.
Leila ressaltou que a prioridade do Senado deve ser proteger o interesse do contribuinte brasiliense, assegurando que eventuais prejuízos não sejam socializados com a população.
Caso Banco Master leva Senado a criar grupo de trabalho na CAE
A gravidade do caso também pautou a abertura dos trabalhos da Comissão de Assuntos Econômicos (CAE). Senadores destacaram a necessidade de aprofundar a fiscalização e confirmaram a instalação de um grupo de trabalho para acompanhar as investigações sobre o Banco Master, prevista para esta quarta-feira (4).
O colegiado foi instituído por ato do presidente da comissão, o senador Renan Calheiros, que defendeu uma apuração ampla e sem restrições.
“É dever desta comissão vasculhar este pântano do Banco Master e todas as suas ramificações, doa a quem doer”, declarou Renan, ao criticar o modelo de negócios da instituição, baseado na emissão de CDBs com promessa de retornos elevados e no uso do Fundo Garantidor de Crédito (FGC).
Investigações envolvem Banco Central, CVM, PF e TCU
O grupo de trabalho terá poderes para requisitar documentos, inclusive dados sigilosos, e acompanhar investigações já em andamento no Banco Central, na Comissão de Valores Mobiliários, na Polícia Federal e no Tribunal de Contas da União.
Entre as atribuições do grupo estão:
- convocação de autoridades e investigados;
- solicitação de informações oficiais;
- acompanhamento de apurações em curso;
- elaboração de propostas legislativas para reforçar a fiscalização e proteger o uso de recursos públicos.
Composição do grupo de trabalho
Além de Leila do Vôlei e Renan Calheiros, o grupo será formado pelos senadores Alessandro Vieira (MDB-SE), Damares Alves (Republicanos-DF), Eduardo Braga (MDB-AM), Esperidião Amin (PP-SC), Fernando Farias (MDB-AL) e Randolfe Rodrigues (PT-AP).






