O Senado Federal realizou, nesta quinta-feira (9), uma sessão especial em alusão ao Outubro Rosa, marcada por apelos de mulheres e especialistas por mais investimentos no enfrentamento ao câncer de mama e pelo fortalecimento das políticas públicas de prevenção e tratamento.
A iniciativa foi proposta e conduzida pela senadora Leila do Vôlei (PDT-DF), que afirmou que o Outubro Rosa é um chamado à vida e à consciência coletiva. Para a parlamentar, a campanha deve ser permanente e transformada em políticas concretas que garantam acesso igualitário aos exames, à informação e ao tratamento de qualidade em todo o país.

Segundo o Instituto Nacional de Câncer (Inca), o câncer de mama é o tipo mais recorrente entre as mulheres, com 74 mil novos casos previstos no Brasil em 2025. Durante a sessão, Leila reforçou a necessidade de ampliar o orçamento da saúde pública e de garantir que mulheres de todas as regiões, inclusive as que vivem em áreas rurais e comunidades tradicionais, tenham acesso rápido ao diagnóstico e ao tratamento. Ela também lembrou a importância de hábitos preventivos, como o autoexame, a atividade física regular e a alimentação saudável.
A presidente regional da Sociedade Brasileira de Mastologia, Lucimara Veras Giorgi, ressaltou que, embora a medicina tenha avançado, o maior desafio ainda é garantir acesso a toda a linha de cuidado, desde a atenção primária até o tratamento especializado.
“A detecção precoce é o principal fator de redução da mortalidade e de aumento da sobrevida das pacientes. É preciso garantir o acesso à mamografia regular e o rápido encaminhamento para biópsia e tratamento”, destacou, lembrando a importância do cumprimento da Lei dos 60 dias, que assegura o início do tratamento após o diagnóstico.
A secretária de Articulação Institucional e Participação Política do Ministério das Mulheres, Sandra Kennedy, destacou que, sem investimento, não há como garantir políticas efetivas de saúde. Ela elogiou o programa Mais Especialistas e reforçou a necessidade de consolidar o Sistema Único de Saúde (SUS) como pilar do combate ao câncer.
“Sem orçamento, não podemos implementar o que defendemos: o acesso a políticas públicas de qualidade e em tempo oportuno. Lutar contra o câncer de mama é, acima de tudo, lutar pela vida”, afirmou.
Para a presidente do Instituto Recomeçar, Joana Jeker, que superou um câncer de mama, é necessário também envolver os homens nessa luta — tanto para apoiar as mulheres quanto para estarem atentos à doença, que também pode atingi-los.
“Juntos podemos conquistar mais políticas públicas e fazer com que aquelas já existentes sejam mais eficientes em todo o país”, declarou.
O evento reuniu parlamentares, representantes do governo federal, entidades médicas e movimentos sociais. O consenso entre os participantes foi de que a prevenção e o diagnóstico precoce continuam sendo os maiores aliados na luta contra o câncer de mama, mas que sem investimento e gestão eficiente, as políticas públicas não chegam a quem mais precisa.







