O fim das proteções concedidas à classe política e uma reforma nas regras de composição e funcionamento do Supremo Tribunal Federal (STF) foram os principais temas defendidos por Leila do Vôlei (PDT-DF) durante sabatina promovida pela rádio Metrópoles FM 104,1. A parlamentar foi a última candidata ao Senado entrevistada pela emissora.

Leila se posicionou contra o foro privilegiado para políticos e criticou a PEC da Blindagem, aprovada pela Câmara dos Deputados com os votos de cinco dos oito representantes do Distrito Federal. A proposta acabou rejeitada pela Comissão de Constituição e Justiça do Senado em setembro de 2025.

“Assim como sou a favor do fim do foro privilegiado eu sou contra qualquer medida que blindar os políticos de investigações. Não dá para cobrar uma postura transparente dos outros poderes da República e criar leis para proteger a si mesmo. É importante o eleitor do Distrito Federal pesquisar quem foram os parlamentares que votaram para ampliar a blindagem aos políticos”, afirmou.

Apelidada de PEC da Blindagem (PEC 3/2021), a proposta retomava a exigência de autorização prévia da Câmara ou do Senado para que o Supremo pudesse abrir processos criminais contra parlamentares. Sem o aval da respectiva Casa legislativa, a ação não poderia avançar. O texto também estabelecia votação secreta e prazo de até 90 dias para a decisão, além de ampliar o foro privilegiado para presidentes nacionais de partidos com representação no Congresso.

Cinco dos oito deputados federais do DF votaram para ampliar a proteção da própria classe política, ou seja, a favor da PEC da Blindagem. Entre eles, Bia Kicis, hoje candidata ao Senado, e Alberto Fraga, ambos do PL.

Crise no STF

Durante a entrevista, Leila destacou que as investigações sobre Daniel Vorcaro e o Banco Master revelaram um rede de influência que cooptou diversas autoridades da República. A parlamentar lembrou que a coerência com o mandato e os valores que defende a fizeram assinar os três requerimentos apresentados em 2019 para a criação da CPI da Lava Toga e, recentemente, o pedido de impeachment do ministro Alexandre de Moraes.

“O Supremo precisa ser forte e independente, mas suas regras podem ser aperfeiçoadas. Por isso, assinei o pedido de impeachment do ministro Alexandre de Moraes. Assinar um pedido não significa condenar antecipadamente ninguém. Significa permitir que os fatos sejam apurados, que as explicações sejam prestadas e que o direito de defesa seja garantido. Ninguém está acima da lei, seja político, ministro, empresário ou qualquer outra autoridade. Todos devem ser investigados”, disse.

A senadora Leila também defendeu a revisão do modelo atual de indicação de ministros do STF, o estabelecimento de mandatos com prazo determinado e o debate sobre a limitação de decisões monocráticas em temas de grande impacto institucional ou social. Para ela, medidas urgentes podem continuar sendo tomadas individualmente, desde que sejam submetidas ao colegiado dentro de um prazo definido.

Acessar o conteúdo