A Comissão de Esporte (CEsp) do Senado Federal realizou, nesta quarta-feira (27), uma audiência pública para celebrar a história da atleta olímpica Aída dos Santos Menezes, pioneira do atletismo brasileiro. Aos 88 anos, ela foi homenageada com um voto de louvor e recebeu flores e uma placa de reconhecimento entregue pela senadora Leila do Vôlei (PDT-DF), presidente do colegiado.
Autora do requerimento que concedeu a homenagem, a senadora destacou o simbolismo da trajetória de Aída, única mulher da delegação brasileira nos Jogos Olímpicos de Tóquio, em 1964.
“Aída venceu barreiras sociais, econômicas e raciais. Sua conquista em Tóquio foi extraordinária, pois competiu sem estrutura e, mesmo assim, alcançou um feito histórico. Sua vida nos mostra a força da resiliência, do talento e da coragem”, afirmou Leila.
Durante a cerimônia, a placa entregue pela parlamentar ressaltou a importância do legado da atleta como referência de superação e igualdade no esporte.

Uma trajetória marcada pela persistência
Na audiência, Aída dos Santos relembrou os desafios que enfrentou: viajou sem uniforme oficial, sem técnico, sem médico e competiu com roupas improvisadas.
“Disseram que eu não iria nem aparecer na final. Aquilo me deu força. Usei uma saia e uma blusa emprestadas, e depois consegui um tênis de corrida para competir. Foi muito sofrimento, mas também uma vitória da persistência”, contou.

Mesmo diante das adversidades, alcançou o quarto lugar no salto em altura com 1,74m — melhor resultado feminino do Brasil em Jogos Olímpicos por mais de três décadas.
Além das conquistas nas pistas, Aída se dedicou à carreira acadêmica, graduando-se em geografia, pedagogia e educação física. Como professora universitária, ajudou a formar atletas e educadores, deixando um legado também na educação.
Sua trajetória lhe rendeu prêmios importantes, como o Troféu Adhemar Ferreira da Silva, do Comitê Olímpico Brasileiro, e o Diploma Mundial Mulher e Esporte, concedido pelo Comitê Olímpico Internacional.
“Dona Aída transcende os limites do esporte. É uma inspiração para gerações, mulher negra, de origem humilde, que fez história em 1964 e até hoje segue iluminando o Brasil”, destacou Wlamir Motta Campos, presidente da Confederação Brasileira de Atletismo.
Inspiração para gerações
A homenagem também contou com a presença de Valeska dos Santos Menezes, filha de Aída e campeã olímpica de vôlei feminino em 2008. Emocionada, Valeska ressaltou a importância da mãe como exemplo:
“Mais do que um salto, foi um grito, um ato de fé. Ela foi a única mulher da delegação em Tóquio e mostrou que podia chegar longe. Como filha, vejo a mãe que sempre nos ensinou a não desistir. Como atleta, vejo o símbolo de resistência que inspira até hoje.”
A audiência da CEsp também reuniu a secretária Nacional de Excelência Esportiva do Ministério do Esporte, Iziane Castro Marques, e a representante do Ministério das Mulheres, Lucimara Cardozo, reforçando a importância do legado de Aída para o esporte, a igualdade de gênero e a luta contra o racismo.








