A menos de um mês das eleições, a saúde aparece como uma preocupação praticamente incontornável para quem decide o voto no Distrito Federal. Pesquisa Correio/Opinião Inteligência Política mostrou que 82,3% dos eleitores consideram a área uma das principais prioridades a serem enfrentadas pelo próximo governo, à frente de educação (43,1%) e segurança pública (33,1%).

Essa percepção não é recente. Levantamento realizado em 2025 pelo Observatório de Políticas Públicas do DF (ObservaDF), da Universidade de Brasília (UnB), já apontava a saúde como o maior problema para 49,2% dos entrevistados e como a área mais mal avaliada do atual governo. Entre as principais reclamações estavam a demora no atendimento, as filas e a falta de médicos.

O cenário ajuda a dimensionar um dos principais focos dos investimentos destinados pelos candidatos que buscam a reeleição, como a senadora Leila do Vôlei (PDT-DF), e daqueles que tentam conquistar pela primeira vez uma vaga no Poder Legislativo. De acordo com a primeira mulher eleita para representar o DF no Senado, as reclamações sobre a saúde se repetem nas diferentes regiões por onde tem passado durante a campanha, apesar dos recursos aplicados nos últimos anos para ampliar e melhorar a rede pública.

“Nós destinamos mais de R$ 390 milhões à saúde, mas dinheiro sozinho não resolve. É preciso de gestão para que esses investimentos cheguem a quem está lá na ponta precisando de atendimento”, afirma Leila. “Por onde eu ando no DF, a saúde aparece como uma das principais reclamações. Por isso tenho insistido tanto na atenção primária. Uma Unidade Básica de Saúde [UBS] funcionando perto de casa significa cuidar antes que o problema se agrave e também ajuda a diminuir a pressão sobre hospitais e emergências”, afirma.

A experiência da UBS 9 de Santa Maria é um exemplo das dificuldades para transformar recursos disponíveis em atendimento. A unidade foi construída com recursos destinados por Leila, mas, segundo a senadora, sua concretização exigiu sucessivas cobranças e fiscalização até que saísse do papel. Inaugurada em setembro de 2025, a UBS registra cerca de 300 atendimentos por dia. A unidade conta com quatro equipes completas da Estratégia Saúde da Família, além de laboratório, farmácia, vacinação, curativos e outros procedimentos.

“A UBS é a porta de entrada do SUS. É onde você acompanha uma gestação, vacina uma criança, controla a pressão, cuida do diabetes e consegue resolver muita coisa antes que vire uma emergência. Por isso eu acredito tanto em levar atendimento para perto de onde as pessoas vivem”, explica.

Leila também destinou recursos para novas UBSs em Planaltina, Sol Nascente e Vicente Pires, mas as obras sequer saíram do papel. A expectativa é que as estruturas ampliem a capacidade de atendimento, aproximem os serviços básicos das comunidades e contribuam para reduzir a pressão sobre hospitais e unidades de pronto atendimento. “O nosso compromisso é cobrar para que esses equipamentos sejam entregues e garantir a construção de mais UBSs no DF, além de cobrar as obras do Hospital Regional de São Sebastião.”

São Sebastião, com cerca de 130 mil habitantes, ainda não possui hospital público próprio. Embora haja recursos destinados desde 2023 e uma ordem de serviço tenha sido assinada em junho, no valor de R$ 165 milhões, as obras ainda aguardam o início. “Eu destinei recursos para essa obra começar. O recurso existe, mas a população continua tendo que sair da cidade quando precisa de atendimento hospitalar. Nosso trabalho não termina quando a emenda é destinada. A gente cobra, fiscaliza e acompanha porque o que importa é o hospital funcionando e atendendo as pessoas”, afirma Leila.

Além de novas unidades, os investimentos alcançaram a estrutura já existente. Foram destinados recursos para reformas e aquisição de aparelhos de anestesia, ressonância magnética, ultrassonografia, videolaparoscopia, tomografia, máquinas de hemodiálise, raio-X, mesas cirúrgicas, monitores, ventiladores pulmonares e camas hospitalares. O mandato também garantiu 305 computadores para modernizar o atendimento em 96 UBSs do DF.

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