Membros do PV e PDT acionam Justiça em defesa da Serrinha do Paranoá

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Ação mostra impossibilidade de uso de área ambiental com relevante interesse social, com jurisprudência de proteção estabelecida por cortes superiores, como garantia para recuperação do BRB

Lideranças políticas do PV e do PDT ingressaram nesta sexta-feira (20) com ação popular ambiental na Justiça do Distrito Federal para suspender os efeitos da Lei Distrital nº 7.845/2026, que autoriza a utilização da Serrinha do Paranoá como ativo financeiro em operações de capitalização do Banco de Brasília (BRB). A peça é assinada pela senadora e presidente do PDT, senadora Leila do Vôlei, o presidente do Partido Verde, Eduardo Brandão, o deputado federal Reginaldo Veras (PV) e a dirigente e ambientalista Rayssa Tomaz.

A ação questiona a inclusão da área, considerada o maior remanescente de vegetação nativa da região do Lago Paranoá, no rol de bens públicos passíveis de alienação, transferência ou uso como garantia financeira. O território abriga 119 nascentes catalogadas e 14 bacias hidrográficas, desempenhando papel essencial na recarga hídrica do Distrito Federal. Às vésperas do Dia Mundial da Água, celebrado neste domingo (22), os autores destacam que a proteção da Serrinha do Paranoá é estratégica para a segurança hídrica da capital, uma vez que a área funciona como um verdadeiro reservatório natural, garantindo a manutenção de aquíferos e o abastecimento de gerações presentes e futuras.

Os autores alertam que a medida representa uma ameaça concreta ao equilíbrio ambiental e ao abastecimento de água da capital. Para a senadora Leila do Vôlei, uma das autoras da ação, a iniciativa busca impedir um grave precedente.

“Estamos diante de uma tentativa de transformar patrimônio ambiental em ativo financeiro. Isso é inaceitável. Não podemos permitir retrocessos que coloquem em risco a segurança hídrica e o futuro das próximas gerações”, senadora Leila.

O presidente do Partido Verde e ex-secretário de Meio Ambiente do Distrito Federal, Eduardo Brandão, reforça o impacto político da medida ao afirmar que “esse projeto ignora evidências técnicas produzidas pelo próprio governo e abre um precedente gravíssimo. Se permitirmos isso, outras áreas protegidas podem seguir o mesmo caminho.”

Para Reginaldo Veras, também signatário da ação, além do atropelo dos atributos ambientais, houve absoluta ausência de debate público: “Uma decisão dessa magnitude foi tomada sem a devida participação da sociedade. Estamos falando de um patrimônio coletivo, que pertence a todos.”

A ação foi apresentada pelo escritório de Fabrício Augusto da Silva Martins, também membro do Partido Verde. O advogado afirma que a medida é juridicamente insustentável e destaca: “A lei viola frontalmente a Constituição Federal, o Sistema Nacional de Unidades de Conservação e a Lei Orgânica do Distrito Federal. Trata-se de uma desafetação ilegal de área ambientalmente protegida, sem estudos técnicos adequados e sem participação popular.”

A ação aponta ainda que a utilização da área como garantia financeira pode abrir caminho para processos de urbanização e exploração econômica incompatíveis com sua função ecológica, com risco de danos irreversíveis ao meio ambiente.

Diante do cenário apresentado, os autores pedem à Justiça a concessão de tutela de urgência para suspender imediatamente qualquer ato de alienação, transferência ou uso da Serrinha do Paranoá em operações financeiras, reforçando que a iniciativa representa não apenas uma medida jurídica, mas também um posicionamento político e ambiental em defesa do Cerrado, da segurança hídrica e do futuro do Distrito Federal.

“Esta ação soma-se a todas as outras iniciativas que têm por objetivo salvaguardar o patrimônio material, mas sobretudo, ambiental do DF. Não vamos negociar o nosso futuro. Queremos deixar um recado claro de que o meio ambiente não será moeda de troca para cobrir gastos de corrupção”, finaliza a dirigente Rayssa Tomaz.

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