A Comissão de Esporte (CEsp) do Senado Federal, presidida pela senadora Leila do Vôlei (PDT-DF), promoveu nesta terça-feira (14), uma audiência pública para discutir o papel da medicina esportiva na promoção da saúde preventiva e na formulação de políticas públicas voltadas ao incentivo da prática de atividades físicas.
Leila reconheceu que a medicina esportiva vai muito além do atendimento a atletas de alto rendimento. Para ela, a especialidade representa uma importante ferramenta para melhorar a qualidade de vida da população.
“Discutir a estrutura da medicina esportiva significa debater qualidade de vida, eficiência do sistema de saúde e desenvolvimento esportivo. Mais do que atender atletas de alto rendimento, a medicina esportiva beneficia milhões de brasileiros que encontram no esporte um instrumento de prevenção de doenças e de se obter um envelhecimento saudável”, afirmou a senadora.
Atividade física reduz doenças e alivia a pressão sobre o SUS
Durante a audiência, especialistas defenderam que políticas públicas voltadas ao incentivo da atividade física podem reduzir significativamente a incidência de doenças crônicas, melhorar a saúde mental da população e diminuir os custos dos sistemas público e privado de saúde. O integrante do Conselho Consultivo da Sociedade Brasileira de Medicina do Exercício e do Esporte (SBMEE), Fernando Carmelo destacou que ainda existe a falsa percepção de que a especialidade atende apenas atletas profissionais.
Segundo ele, qualquer pessoa que pratique atividade física precisa de acompanhamento adequado antes, durante e após os exercícios.
“Quando se fala da medicina do esporte, parece que a gente só está tratando de atletas do esporte de alto rendimento, mas é importante esclarecer que essa área é muito mais ampla. Qualquer tipo de praticante de atividades físicas, esportivas, independentemente do tipo e do nível, requer esse atendimento.”
Exercício físico salva vidas
O secretário-geral da Federação Internacional de Medicina Esportiva (FIMS), José Kawazoe Lazzoli, defendeu a criação de políticas públicas permanentes de incentivo à atividade física. Segundo ele, a prática regular de exercícios, quando orientada corretamente, reduz significativamente o risco de doenças cardiovasculares, AVC, infarto e até de mortalidade precoce.
Especialista em medicina esportiva, fisiatria e concussão cerebral, Moacir Silva Neto alertou para o crescimento dos transtornos mentais e dos afastamentos por estresse, ansiedade e depressão. Ele afirmou que evidências científicas apresentadas durante a audiência demonstram que a atividade física pode ser mais eficaz do que medicamentos em alguns casos de depressão e ainda contribuir para reduzir o risco de doenças neurodegenerativas, como o Alzheimer.
Esporte nas escolas e preparação para emergências
O diretor cultural da Associação Médica Brasileira (AMB), Rômulo Capello Teixeira, defendeu que a prática esportiva seja fortalecida desde a infância e sugeriu que escolas e instituições promovam treinamentos de atendimento a emergências. Segundo ele, além de incentivar hábitos saudáveis, essas ações aumentam a capacidade de resposta da população diante de situações críticas.
“Essas audiências públicas são feitas para transmitirmos a necessidade de termos hábitos saudáveis e de sabermos como agir num momento de emergência.”
Também participaram da audiência representantes do Ministério da Saúde e da Autoridade Brasileira de Controle de Dopagem (ABCD), que apresentaram programas desenvolvidos pelo Governo Federal para ampliar o acesso à atividade física e fortalecer políticas de prevenção em saúde.






