Senadora brasiliense aparece no topo do levantamento do Instituto Democracia e Sustentabilidade (IDS), com índice de convergência ambiental de 84,2 e participação de 95% nas votações analisadas
A senadora Leila do Vôlei (PDT-DF) está entre os parlamentares que mais convergiram com posições consideradas ambientalmente corretas pelo Farol Verde 2026. O levantamento do Instituto Democracia e Sustentabilidade (IDS) a coloca, ao lado do senador Paulo Paim (PT-RS), na liderança do ranking que combina o desempenho nas votações com a participação dos parlamentares.
“Posso dizer que a pauta ambiental me cativou definitivamente durante o mandato”, diz Leila. “Não dá para fechar os olhos para uma questão que é universal e que interfere na vida das pessoas, na nossa economia e no futuro das próximas gerações. Os eventos climáticos extremos já são uma realidade e o Congresso precisa estar à altura desse desafio, construindo políticas que protejam o meio ambiente e a população.”
De acordo com o relatório do IDS, Leila registrou um Índice de Convergência Ambiental (ICAt) de 84,2, com 95% de participação nas 22 votações do Senado incluídas na análise. A posição é calculada pela multiplicação do ICAt pela assiduidade, indicador criado pelo Farol Verde para considerar simultaneamente a orientação dos votos e a presença nas deliberações monitoradas.
O Farol Verde analisou 66 votações nominais realizadas entre 2023 e julho de 2026, sendo 44 na Câmara dos Deputados e 22 no Senado. O estudo examinou 718 parlamentares que exerceram mandato na 57ª Legislatura — 625 deputados e 93 senadores, ou seja, incluindo suplentes — e atribuiu pesos diferentes aos pleitos de acordo com o impacto socioambiental esperado de cada matéria.
A metodologia estabelece previamente, junto ao Grupo de Trabalho do Congresso do Observatório do Clima, qual posição em cada votação representa a convergência ambiental. Votos em matérias consideradas de impacto estrutural ou nacional recebem peso maior. Ausências não entram no cálculo, razão pela qual o relatório apresenta o iCAt sempre acompanhado da taxa de participação.
Bandeira ambientalista
O resultado do Farol Verde simboliza a prioridade da pauta ambiental na trajetória parlamentar de Leila, que presidiu a Comissão de Meio Ambiente do Senado (CMA) no biênio 2023-2024 e foi a primeira mulher a comandar o colegiado. Já no primeiro ano da gestão, ela venceu o prêmio Congresso em Foco na categoria Defesa do Clima. Desde 2025, ela exerce a vice-presidência da CMA.
Durante sua passagem pela presidência da CMA, Leila alcançou uma produção legislativa recorde, incluindo a defesa ambiental do DF e o protagonismo brasileiro na agenda climática, ao conduzir debates e votações sobre temas como bioinsumos, incêndios florestais, manejo integrado do fogo, proteção de nascentes, mercado de carbono e mudanças climáticas. Em 2024, ela atuou como relatora do projeto que criou o Sistema Brasileiro de Comércio de Emissões de Gases de Efeito Estufa, posteriormente transformado na lei nº 15.042.
O mandato ganhou destaque socioambiental, ainda, por seu trabalho como relatora da lei nº 14.755/2023, que instituiu a Política Nacional de Direitos das Populações Atingidas por Barragens. A legislação estabeleceu garantias para pessoas e comunidades afetadas por construção, desativação, operação ou rompimento de represas. A proposta incluiu indenização e reassentamento.
A preocupação com o Cerrado também ganhou importância em seu mandato. Em 2025, um requerimento de Leila garantiu a criação de uma subcomissão permanente destinada a acompanhar e estudar medidas de proteção ambiental e desenvolvimento sustentável do bioma. Na ocasião, a pedido da senadora, a CMA instituiu um colegiado temporário para acompanhar os preparativos da 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP 30).
Relevância diante do contexto
O desempenho individual de Leila contrasta com o resultado geral encontrado pelo Farol Verde. O meio ambiente perdeu em 70% das 66 votações monitoradas, com 46 decisões classificadas como desfavoráveis e 20 como favoráveis. No Senado, a proporção de votações consideradas vitórias foi de 18%.
Esse índice também evidencia a diferença entre as duas casas legislativas: o ICAt médio foi de 47,2 na Câmara dos Deputado e 32,3 no Senado. Nas votações relativas a vetos presidenciais em matéria ambiental, o desempenho foi ainda mais baixo, com 83% das deliberações consideradas desfavoráveis.
No recorte por gênero, o levantamento também identificou diferença no comportamento parlamentar: as mulheres apresentaram ICAt médio superior ao dos homens nas duas Casas. No Senado, por exemplo, o índice médio das senadoras foi de 53 pontos, contra 28 entre os senadores.
Para Leila, portanto, o resultado do Farol Verde se soma a uma trajetória de participação contínua na agenda ambiental, que inclui a atuação na CMA, a relatoria do mercado regulado de carbono e iniciativas voltadas à proteção do Cerrado, à prevenção de incêndios e à adaptação às mudanças climáticas.





